Castelo do Tempo

Computador de Bolso ArcanóidePC

Chegou o revolucionário Super Computador de Bolso ArcanóidePC!

INTERNET: O Super Computador de Bolso ArcanóidePC vem com o moderníssimo navegador ArcanFox 3, uma versão exclusiva do Firefox implementando o maravilhoso botão "Qualquer canto", que abre uma página aleatória da Internet. Agora seus momentos de tédio acabaram! Sempre haverá uma página nova a visitar. (nota: a ArcanóidePC não se responsabiliza pela abertura aleatória de páginas de pornografia, crime contra a propriedade intelectual, intolerância étnica ou religiosa ou qualquer outra coisa, afinal, a página é aleatória)

TRABALHO: com o Super Computador de Bolso ArcanóidePC, você pode fazer seus trabalhos escolares, apresentações de slides e planilha eletrônica na maior comodidade. (nota: ferramentas de escritório não inclusas: use o Google Docs)

ENTRETENIMENTO: Somente o Super Computador de Bolso ArcanóidePC traz o Arcanemu, módulo embutido no Sistema Operacional especialmente para emulação de jogos para todos os consoles 8 bits. O Arcanemu é capaz de fazer download dos jogos desejados, escolhidos a partir de um bonito e prático menu, de forma automática a partir de diversas fontes na Internet, gerenciando também a remoção automática dos arquivos após 48 horas para proteção legal.

O incrível Super Computador de Bolso ArcanóidePC está disponível nas seguintes versões:

  • Myope: com Vindous Vista Start Edilson
  • Xiiii: com Vindous Xiiii-P
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Libra Maria

Jasmim #17 - Adeus, Volgogrado

Jasmim #17

São quase sete horas da noite. Rianskaya ulitsa, 37, Volgogrado. No primeiro andar, a luz da cozinha acesa ilumina lágrimas que fogem de dois olhos verdes. É Anna, que morde os lábios triste vendo Jasmim servir a mesa como se fosse tudo normal.

- Você vai mesmo embora amanhã?

- Vou sim.

- Jasmim...

Anna abaixa a cabeça chorando. É uma mistura de saudades com a percepção de que esta é uma despedida. E Anna fica pensando como Jasmim não chamou mais ninguém... Será que ela não tem mais ninguém? Amigos, parentes...

A mão de Jasmim toca a cabeça de Anna, sem jeito.

- Calma, vai ficar tudo bem.

Os olhos cheios de lágrimas se erguem um pouco. Logo Anna está abraçada a Jasmim, ainda chorando.

Jasmim, surpresa, aproxima devagar as mãos dos cabelos de Anna, acariciando-os de leve. No que se lembra de Pietro no hospital outro dia e um leve sorriso nasce nos seus lábios. "Irmã..." Será que não está, sem querer, tentando fazer da Anna a irmã que nunca teve?

- Podemos jantar, Anna? - Ela fala, de modo suave.


- Nossa, Jasmim, você cozinha bem! E faz tudo soziha!

De Jasmim, um movimento discreto dos lábios quase forma um sorriso.

- O que foi? Está preocupada com a viagem? Vai não então... Fica aqui e...

- Queria te pedir um favor.

- Um favor?

- Anna, você é a única pessoa em que confio hoje. Além do mais, pelo que você tem reclamado da sua casa... Bom, você não precisa fazer isso se não quiser. É sobre o antiquário. Vou te deixar as chaves e, se quiser, você pode morar aqui enquanto eu estou fora.

- Jasmim... - As lágrimas que tinham dado trégua voltam aos olhos de Anna.

- Mas é só se você quiser, você não precisa...

- Você é tão legal!

- ...mas claro, independente disso, você vai ter que cuidar dos papéis da empresa.

- Mas eu não sei fazer isso.

- É intuitivo.

- Sim, mas...

- Amanhã te ensino.

- Tudo bem... - Anna enxuga o rosto e, com novas lágrimas, fala após um tempo. - Sabe, Jasmim? Eu sempre soube...

Jasmim responde com um olhar de estranheza.

- Você é tão exigente, tão rígida, mas eu sei que é porque você quer tudo funcionando direito. Eu sempre soube que por trás dessa pessoa preocupada você era uma pessoa muito legal, incrível e... Calma, sua boba, não precisa fazer essa cara! Não tou estou dando em cima de você não! Ah, Jasmim, vou sentir tanto a sua falta... Posso te dar um abraço?


Já é meio da tarde. Da janela do ônibus, Jasmim vê Anna e Pietro acenando. Não é do jeito que ela queria, preferia simplesmente ir embora. Viria de táxi e partiria, simples assim. Mas Anna ligou para Pietro e pediu esse favor...

Também não queria ter que fechar o antiquário mais cedo, mas Anna quis se despedir e Jasmim preferiu deixar, mas não sem dar um sermão sobre o cumprimento de horários, na esperança de que tudo funcione de maneira adequada enquanto estiver fora.

O ônibus parte e ela se lembra da noite anterior. "Cuide do antiquário como se fosse seu."

Sua bagagem está em duas bolsas. Uma delas leva a morningstar. Uma bolsa larga, difícil de se encontrar à venda mas, como sempre, Jasmim programara tudo com antecedência.

O ônibus deixa Volgogrado e todo o seu mundo ali fica, pouco a pouco, para trás. No céu, o entardecer. O Sol nasce na sua camisa azul, presente surpresa de Anna e Pietro.

Seu coração espera ansioso pelo que o futuo lhe reserva. Ansioso, mas com toda a paciência do mundo.

Jasmim saca um livro de Stephen King. O ônibus leva poucas pessoas. Ao alcance da mão, uma bolsa que ela mesma trouxe. Uma bolsa de mais de um metro de largura, que descansa na poltrona ao lado.

Ajude a Wikipedia!

Você conhece a Wikipedia, não é? É um engenhoso e bem-sucedido projeto de conhecimento coletivo. Milhares e milhares de artigos se somam em uma enciclopédia livre. O BR-Linux e o Efetividade estão com uma promoção que permitirá ajudar a Wikipedia sem muito esforço. Confira e participe!

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que usamos no dia-a-dia on-line. Se você puder doar diretamente, ou
contribuir de outra forma, são sempre melhores opções. Mas se não
puder, veja as regras da promoção e participe - quanto mais divulgação, maior será a doação do BR-Linux e do Efetividade, e você ainda concorre a diversos brindes!

 

Jasmim #16 - Visita ao Professor

Jasmim #16

"Din-don!" A silhueta de um lobo uivando diante da Lua Cheia. É a camisa vinho de Jasmim que, com o cabelo em trança, espera diante da porta branca de madeira. Expressão séria e pensamentos distantes. A caixa de madeira está no chão, bem perto...

A porta se abre e mostra uma mulher já de certa idade. De vestido verde e cabelos pretos, ela analisa a visita com cuidado.

- Professor Nicolau está? - Jasmim pergunta.

- Quem gostaria?

- Sou Jasmim. Ele sabe quem sou.

A mulher faz um sinal lento com a cabeça e, sem mudar a expressão no rosto, responde:

- Certamente. Eu também sei. - Abre a porta e a convida para entrar.

Passam pela sala com seus belos móveis, tomam um corredor e, enfim, alcançam a biblioteca, onde está o professor, sentado numa poltrona lendo.

- Bem? Tem uma visita pra você.

- Quem... Jasmim?

- Vou trazer chá.

Jasmim se senta na cadeira diante do professor enquanto aquela senhora deixa a biblioteca.

- Não está mais dando aula?

- É, Jasmim... Depois daquele acidente... Eu já podia estar aposentado há tempos, não tinha me aposentado ainda de teimoso. Depois daquilo decidi que já era hora mesmo de admitir a derrota pro relógio e viver quieto aqui em casa o que ainda me resta de vida...

- ...

- E quanto a você? O que te traz aqui?

- Estou indo à Turquia.

- Turquia... Já estive em Istambul. É interessante. Mas faz muito tempo que fui, depois o governo começou a incentivar as empresas e deve estar muito diferente hoje em dia... Não deixe de visitar Tróia também, estive lá na muralha. Estar lá traz aquela história toda da guerra com os gregos pra cabeça da gente. É um lugar especial. Como sei que você gosta dessas coisas, dessas histórias de magia...

- Você não se lembra?

- De quê? Do acidente? Foi um começo de incêndio e qualquer coisa que você ache que viu foi provocada pelo stress. Sobre sua viagem, não sei se é uma boa idéia viajar pra onde quer que seja nos dias de hoje. Isso de guerras e confusões pode ser mentira, mas pode muito bem estar havendo alguma coisa lá fora. É perigoso.

- Preciso ir. Estou numa missão.

- Entendo. Espero que saiba o que está fazendo.

- Eu sei. - Jasmim se levanta. - Até mais então, professor.

- Ei, Jasmim! Nem faço idéia de que missão é essa. Nem sei o que há com o mundo. Mas se for pra fazer diferença e entrar pra História, você sabe que poucas mulheres conseguiram... Use isso como incentivo. Se você conseguir, seu nome terá um brilho bem maior sendo você mulher do que se fosse um homem. Boa sorte no que quer que esteja tentando.

- Obrigada.

- Ei, não vai tomar o chá? - A esposa do professor Nicolau chega à sala.

- Não, obrigada. Já vou.

- Mas isso é uma desfeita!

- Alina, não seja mal educada!

- Tudo bem, preciso mesmo ir. Obrigada.

- Sendo assim, deixe-me acompanhá-la até a porta.

As duas voltam pelo caminho por onde vieram. Ao chegarem à porta, Alina sai também.

- Jasmim... Não sei o que houve com vocês na universidade, mas imagino o que pode ter acontecido. Tenho visto muita coisa estranha ultimamente. Já joguei alguns artigos esotéricos fora. Nicolau não acredita nessas coisas...

- Queria não ter razões para acreditar.

- Entendo, deve ser um choque. Mas agradeça a Deus por saber um pouco da verdade, pelo menos. Você tem muita força, posso sentir. Uma força intensa e firme.

- ...

- O que você tem nessa caixa é mágico, não é?

- É, quer ver?

- Não, não precisa. Eu sinto daqui. É muito poderoso. Sabe, comecei a perceber essas energias faz pouco tempo. Mas é curioso. Você tem muito poder, tem que direcionar bem.

- Estou indo à Turquia, numa missão.

- Entendo... Bom, tenho que cuidar do almoço. Antes, deixa só eu te dizer uma coisa: o poder é seu. Quanto mais poder se tem mais sábio é preciso ser pra não ter risco de esse poder terminar trazendo sua ruína. Cuidado para não tentarem te controlar usando seu poder. Senão a culpa será sua também.

- Tudo bem. Estou indo acabar com isso pro mundo voltar ao normal.

- Não sei se isso é possível ou desejável mas, de qualquer forma, boa sorte!

Jasmim #15 - Viagem

Jasmim #15

Um vento sopra constante. O céu azul, sem nuvens.
Tudo bem iluminado. Um início impenetrável de floresta de um lado. Do
outro, ondas vêm até a areia da praia. Na areia, Jasmim.

Já faz alguns dias desde o incidente no cemitério e
Jasmim respira o ar da praia. O vento sopra constante, tentando levar
seus cabelos embora. Em suas mãos, a arma mágica. Tudo está bem
iluminado, mas não há sinal de Sol.

- Klaitu...

- Oi, Jasmim! Tudo bem com você? - É a mesma voz
aguda e estranha que vem pelos ventos, sem sinal de quem a produz. Sim,
Jasmim está em um outro sonho.

Ela olha ao redor. Caminha até a parte onde a areia é
mais úmida e se senta com a haste da morningstar descansando em seu
colo. Como da outra vez, está sem roupas, apenas com os dois anéis
mágicos nos dedos.

- Legal a praia, não é? Eu gosto de praia... A gente relaxa mais, se equilibra. Você pelo jeito gostou da idéia.

Jasmim apenas escuta, permanecendo no mesmo lugar.

- Você deve ter notado que eu não coloquei o Sol. É
que fiquei na dúvida se colocava o Sol nascendo ou à tardinha. Acho que
ia ficar bonito colocar nuvens e o Sol se pondo, tudo alaranjado. Mas
gostei desse jeito. O que você achou?

- Alguém mais sabe sobre a minha missão. - Jasmim responde friamente. - Quem é?

- Ah, Jasmim, eu sei. Temos o que conversar, mas no
mundo dos sonhos o tempo passa diferente. Temos muito tempo ainda. Me
diz o que achou do cenário agora. Melhorou?

- Isso não importa.

- Ah, pra mim importa. Diz, vai! O que custa?

- Olha, achei idiota, tá bom? Dá pra responder agora?

- Ah, você é complicada! Que tipo de cenário você sugere então?

- Um canto sem nada! Que saco! Uma sala vazia, sei lá!

- Ah, mas você sabe... É perigoso usar paredes em sonhos... Alguém pode se infiltrar e...

- Tá, tá legal! Use o que quiser, não importa! Só me diga quem mais sabe desses sonhos e porque você não falou nada antes?

- Está bem, vamos aos negócios então. Você quer saber
porque algumas coisas sumiram quando você foi buscar, porque alguém
chegou antes de você, certo? Pois bem, lembra que eu falei sobre sua
missão? Tem um mal que temos que derrotar, pelo bem do mundo temos que
nos livrar dele, sabe? E, bem, digamos que ele tem suas próprias forças
e não vai ficar quietinho esperando a gente chegar de surpresa. Ele
está se mexendo também e, enfim, é isso.

- ...

- Sabe, Jasmim, é uma corrida agora.

- E por que você não me disse antes?

- Ah, nem sei. Acho que esqueci. Mas também você fala
como se a gente fosse colegas de academia que todo dia se vêem! A gente
só conversou naquele outro sonho, né?

- Se ele tem as forças dele, você tem as suas, certo? Quais são todas essas forças?

- Ué, minha força é você agora!

- Estou só mesmo?

- Não! De jeito nenhum! Eu estou com você!

- E ele?

- Ah, não sei. Mas deve ter alguém também interferindo em tudo.

- E por que eu?

- Como assim?

- De tanta gente no mundo, por que tinha que ser eu?

- Ora, porque tinha que ser você! Você é especial! Não me diga que quer desistir...

- ...

- Tá, estou brincando. Sei que você não é de
desistir. Temos muito trabalho pela frente, mas no final vamos derrotar
as forças de Melthoz.

- Quem?

- É o ser maligno que temos que destruir pra que o
mundo tenha paz. A propósito, te trouxe aqui pra dizer algo importante
desta vez. Já que falamos dos assuntos que você tinha em mente, vamos
tratar dos outros agora. Bom, eu te disse que você ia ter que viajar,
não foi? Pois é, está chegando o momento.

- Quando?

- Daqui a cinco dias você vai ter que partir.

- Onde?

- Bom, essa é a parte boa! Olha pra lá, atrás de você!

Jasmim se levanta e caminha em direção ao painel apoiado por um cavalete, onde está um mapa.

- Viu? Legal isso! Você nem imagina o trabalho que deu pra fazer esse mapa... Mas gostei do resultado!

- Turquia, é isso?

- Ah, não sei dos nomes não, mas deve ser. Você está
nesse ponto verde oliva e tem que ir pra esse ponto azul celeste. Se
você reconheceu então está tudo certo, é só ir daqui a...

- Ok, Turquia então.

Os nerds também amam

Nerdson 

Obra prima de Nerdson, com modesta contribuição de Cárlisson Galdino.

Peça - As Encalhadas

Oi gente, hoje é o Dia dos namorados não é mesmo? Então para o blog entrar no clima, aqui estou publicando uma peça que escrevi lá pro colégio, trabalho de português e que foi apresentada hoje. É uma comédia e como é uma peça, está escrita na forma que se usa em teatro. Espero que gostem e se divirtam bastante com ela. E gostaria de agradecer às meninas que participaram da peça, foi ótima, tão de parabéns! As fotos da peça ainda não estão comigo, então assim que eu conseguí-las, coloco-as aqui. Ah, e só uma observação sobre a oração de Santo ANtônio (que aparece na peça): não sei se funciona já que fui eu que criei. kkkkkk ;) Bem, não vou tomar mais tempo. Então: Feliz dia Dos Namorados e divirtam-se com a peça. ;D 
 
 As Encalhadas 
 
NARRADORA 1: Na cidade de “Deus nos acuda”, cinco jovens sempre se reúnem.
NARRADORA 2: Todas as tardes...
NARRADORA 1: Sempre no mesmo horário..
NARRADORA 2: Por todos esses anos...
NARRADORA 1: Dia após dia..
NARRADORA 2: Formando uma incansável rotina. (vão para o meio do público)
NARRADORA 1: Para quê? Pra rezar, uai! Rezar pra arrumar namorado, gente!
NARRADORA 2: Mas ocês pensam que elas rezam mêss?
NARRADORA 1: Elas gostam mesmo é de falar da vida alheia!
NARRADORA 2: E de falarr de certos desencantos da vida... (se viram para a mesa)
As quatro estão sentadas em cadeiras junto à mesa. Um Santo Antônio está na mesa.
AUGUSTA: Minina, como tá difícil arrumar marido!
ZEFINHA:  Só mermo esse São João para nos sarvar!
AUGUSTA:  Já pedi tanto pra ele e ele num sarva! Pru quê que ele ia sarvar ocê? Ocês sabiam que ele foi um dos primeiros discípulos de Jesus??
JOAQUINA: Foi mermo, mulé? Vixe Maria!!! Conta essa históra!
AUGUSTA: Pois foi! Juntamente com seus irmãos Tiago e Pedro!
SERAFINA: Eita! Ocês sabiam que ele que escreveu “O Apocalipse” do Novo Testamento?
AUGUSTA: Ah, eu já sabia! Sei de tudo sobre a vida do homi!
ZEFINHA: Pois eu num acredito! Pru quê num tem nada provado! Muito menos que ele era o “discípulo amado” de Jesus! Eu sou mais chegada a São Pedro!
AUGUSTA: Pois fale logo dele já que ocê é a sabidona!
ZEFINHA: E digo mermo! Ele se chamava na verdade Simão e foi Jesus que deu o nome de Pedro pra ele.
AUGUSTA: Ah, pois eu sei que foi ele que escreveu o segundo evangelho de Matheus!
ZEFINHA: Ah, Augusta, não me amola!
AUGUSTA: E ocê calada, Zefinha!
Augusta se vira para um lado e Zefinha para o outro.
JOAQUINA: Calma!! Calma!! Vamos falar de Santo Antônio que ele há de nos desencalhar!
SERAFINA: E o que é que ocê sabe sobre ele, Joaquina?
JOAQUINA: Eu sei muita coisa!! Primeiro: ele era um franciscano que entrou para o mosteiro de São Vicente de Fora. Ele tomou hábito e desembarcou na África onde passou um ano em trabalho de catequese. Depois foi pra Itália. Ele virou pregador, depois leitor e depois professor de teologia em um convento!
SERAFINA: Pois eu sei que em portugal ele é chamado de Santo Antonino e que sobre o seu túmulo se ergueu a grande basílica Del Santo.
JOAQUINA: Ele é um dos santos de maior devoção popular, invocado pra encontrar casamentos e objetos perdidos!
SERAFINA: Não! Para achar coisas perdidas já é o São Nunguinho!
JOAQUINA: Mas o povo perde coisa demais! Tem que ter dois! E já que ocê é tão aperriada, peça pra ele ajuda pra encontrar marido!
JOAQUINA: Você está mais encalhada do que eu, Serafina!
SERAFINA: Problema meu, Joaquina!
Joaquina se vira para um lado e Serafina para o outro.
NARRADORA 1: Ai gente, será que elas vão passar o dia assim? (cara de tédio)
NARRADORA 2: Aí não tem mais peça! (triste)
NARRADORA 1: Aquela ali não seria a Ambrósia? (feliz)
NARRADORA 2: Mas num é que é ela mêss?
NARRADORA 1: Será que ela vai pôr fim nesse conflito? O que ocês acham?
NARRADORA 2: E ela põe mesmo!
NARRADORA 1: Mas em compensação...
NARRADORA 2: Ela cria outro maior ainda!
Ambrósia chega (por trás de Augusta) sorridente e diz:
AMBRÓSIA: Oi gente!
AUGUSTA: Arri, Ambrósia! Ocê só dá susto na gente!
AMBRÓSIA: Ochente! E deu pra se assustar com vento foi Augusta?
AUGUSTA: Pára de grosseria, Ambrósia!
AMBRÓSIA: Antes grosseira do que brigona!
AUGUSTA: Eu, brigona?
AMBRÓSIA: Não! Eu!
AUGUSTA: Ah sim! Ocê é mêss!
AMBRÓSIA: Não fala mais comigo, Augusta!
AUGUSTA: Isso não vai ser difícil!
(Augusta senta de costas para Ambrósia)
JOAQUINA: Arri, mas ocê é briguenta mêss heim Ambrósia?
AMBRÓSIA: Antes briguenta que intrometida!
JOAQUINA: Ocê num sabe com quem tá bulindo! Até parece a dona Ricarda! Briguenta que só ela!
AMBRÓSIA: Agora ocê tá me ofendendo!
JOAQUINA: E ocê já me ofendeu demais!
(Joaquina se senta de costas pra Ambrósia)
ZEFINHA: E ocê só se atrasa, Ambrósia! Enguliu o relógio?
AMBRÓSIA: Não, mas se ocê me amolar mais te faço engolir agorinha mêss!
ZEFINHA: Só ocê mesmo! Chega atrasada e já chega arrumando briga!
AMBRÓSIA: Por acaso ocê tá me chamando de barraqueira?
ZEFINHA: Nossa que a mié tá lenta mesmo hoje! Quer que eu desenhe?
SERAFINA: Arri gente! Vamo parar de briga aqui na frente do santo?
ZEFINHA e AMBRÓSIA: Cala a boca, Serafina!
SERAFINA: Arri, eu só queria ajudar!
ZEFINHA e AMBRÓSIA: Pois pare de atrapalhar!
As cinco se sentam de costas umas para as outra.
NARRADORA 1: Arri que essas moças só fazem brigar gente!
NARRADORA 2: Brigar e fofocar!
15 segundos em silêncio.
JOAQUINA: EITAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!
As quatro quase caem.
AUGUSTA: Perdeu o juízo, mulé??? Dando susto na gente!!
SERAFINA: Joaquina!!! Ocê é de tirar a mama de minino novo!
AMBRÓSIA: Meu coração até acelerou!
ZEFINHA: Quer me matar, Joaquina???
JOAQUINA: Minha gente, que nervosismo é esse?? Me lembrei da minha viajem para Pernambuco!!
ZEFINHA: E o que tem essa viajem? Que quase nos mata do coração!
JOAQUINA (animada): Tem que Pernambuco tem as festas Caruaru que atrai muitos turistas! Dizem que é o maior São João do Brasil e é conhecida como a Capital do Forró!!!
AUGUSTA: Pois eu prefiro a Bahia!! Vou pra lá esse ano! E lá tem o Candomblé que homenageia os orixás misturando com os rituais católicos.
JOAQUINA: Grande coisa! Sou mais meu Pernambuco!
AUGUSTA: Lá na Bahia tem samba de roda e barracas padronizadas que servem bebidas e comidas variadas além de bandas de axé music espalhadas pelas ruas durantes os festejos juninos! Além da influência africana que tem por lá!
ZEFINHA: É mermo! Lá é mais meiór!
JOAQUINA: E ocê num se intrometa, Zefinha!!
Duas moças passam por lá.
AUGUSTA: Eu queria ser igual a elas pru quê elas tem namorado!
SERAFINA: Pois eu sou mais eu!
JOAQUINA: Cum esses dentes podrese cabelos assanados??? Se enxerga, muié!!
AMBRÓSIA: Eu queria ser igual a elas também!
Joaquina se vira de costas. As duas meninas param e olham para trás:
MOÇA 1: Ai como eu queria ser como elas!
MOÇA 2: E eu também!
MOÇA 1: Elas são lindas, gente!
MOÇA 2: Devem de tá cheias de namorados.
MOÇA 1: Tudo bem que estão mal-vestidas, mas são lindas, gente!
MOÇA 2: E nós estamos aqui... Feias e sozinhas!
Saem abraçadas e tristes.
NARRADORA 1: Arri que quem queria ter namorado era eu...
NARRADORA 2: E eu menina? Não namoro faz 6 mêis! Mas ocê num tinha namorado?
NARRADORA 1: Falou bem, amiga! Tinha... Nós acabamos!
NARRADORA 2: Gente do céu! Parece que nóis tamo é mais encalhada do que as personagem!
NARRADORA 1: Será que eu ainda vou encontrar um namorado?
NARRADORA 2: E eu? Acho que não arrumo pruquê falo dem... Mais menina, a gente fujiu da história que eu nem percebi! Bom, voltando à nossa história...
NARRADORA 1: A confusão se almentava cada vez mais..
NARRADORA 2: Então alguém tinha que quebrar o gelo!
NARRADORA 1: E esse alguém tinha que ser...
NARRADORA 2: Tinha que ser Zefinha, gente!
Zefinha se vira para as outras.
ZEFINHA: Ocês nem sabem da maior!! Achei a oração pra nóis desencalhar!
AUGUSTA: E foi, muié??? Como é??
ZEFINHA: Joaquina! Vire pra cá que nós vamos rezar juntas!
Joaquina se vira e as cinco lêem juntas:

“Santo Antômio do céu,

Nos ajuda a desencalhar,
A vida está difícil
E precisamos da sua ajuda
Tanto na terra como no céu
Vem nos ajudar!

Perdoa nossos pecados
Encobre nossa feiura
E que os homens vejam
em nós a beleza que não
existe.
                  Amém!”

 
SERAFINA: Depois dessa nóis desencalha! É só ter fé!
AMBRÓSIA: Fé e esperança!
JOAQUINA: Pois é, minha gente! Eu já vou!
AUGUSTA: Vamos todas juntas!
ZEFINHA: E amanhã nóis volta! Como fizemos ontem!
SERAFINA: E anteontem!
AUGUSTA: E antes de anteontem!
JOAQUINA: E todos os dias! Em que passamos da manhã até a noite orando!
AMBRÓSIA: Espera, gente! Eu tenho uma baita novidade!
JOAQUINA: Fala logo, que eu tô curiosa!
AMBRÓSIA: Vai ter a festa da quadrilha.
SERAFINA: E se a gente vai e arruma namorado lá?
AUGUSTA: Ai, eu vou! Mas quando vai ser?
AMBRÓSIA: Hoje mesmo, gente! Daqui a pouco!
ZEFINHA: Então vamos nos arrumar! Afinal nós vamos ou não vamos pra essa festa?
GRITAM todas: Vamos!
As cinco saem.
NARRADORA 1: Ai, amiga! Bem que eu queria ir pra essa festa!
NARRADORA 2: Será que nós desencalhava?
NARRADORA 1: Eu acho que não... Os homens só querem as bonitas!
NARRADORA 2: Ah, mas eu queria tanto ir...
NARRADORA 1: Então vamos, uai! Mas sem esperanças viu? A gente num vai arrumar namorados mêss!
NARRADORA 2: Ow, vida injusta! Assim perdi a vontade de ir!
NARRADORA 1: Então também num vou!
As duas ficam tristes.
As cinco voltam lindas e cinco rapazes se aproximam...
RAPAZES: Nos daria o prazer da dança, senhoritas?
As cinco se olham felizes e respondem:
MENINAS: Claro, meninos!
As cinco dançam.
NARRADORA 1: Arri que essa oração é danada de boa, gente!
NARRADORA 2: É! Vou até anotar pra mim!
NARRADORA 1: Ai, anota pra mim também!
NARRADORA 2: Já tô indo, mulher! Ocê é muito da apres..
Um rapaz se aproxima da narradora 2.
RAPAZ 1: Me daria a honra da dança, senhorita?
NARRADORA 2: Ai que a oração fica pra depois por motivo de força maior! Mas é claro rapaz!
Os dois saem sorrindo.
NARRADORA 1: Que vida injusta, gente! Até ela arrumou alguém e eu...
RAPAZ 2: Moça, dança comigo?
NARRADORA 2: Nem precisa repetir a pergunta, homem! Já estou aí!
Os dois vão dançar.
RAPAZES 3 e 4: Moças, nos daria a honra?
MOÇAS 1 e 2: Claro, gente!
Todos dançam a quadrilha.

As nove vão abraçadas cantando:
“Desencalhadas sim!
Nós vencemos! Muito obrigada, meu pai!
E ao Santo Antônio que nos ajudou a encontrar um
bom rapaz!!” (no ritmo de românticos – cantado por Dona Florinda e Professor Girafales no
                       Chaves)

NARRADORA 1: Mas ocês pensam que depois de essas moças arrumarem namorado a cidade de "Deus nos acuda" ficou mais sossegada?
NARRADORA 2: Que nada, gente! Aí é que foi um Deus nos acuda maior ainda!
                      Elas saem.
   
                                   Fim!

                                                                                                                 Ellen Borges Tenorio Galdino

À Musa (228d d.K.)

Cretense

Faz meses e meses que a gente se conhece. Ela é a minha musa das últimas poesias que fiz. Quando nos conhecíamos há pouco mais de 22 semanas eu tinha 22 poesias feitas para ela. Já fiz muitas poesias, muitas delas lindas. Mas as que fiz pra ela, com certeza, estão entre as mais lindas. Você pode vê-las agora, aliás, todos os posts que fiz para ela ou por causa dela. Criei uma categoria só para isso. Não deixe de ver Tal qual um lobo!

Seu nome é Kívia, que significa pedra em Finlandês.

Quem me tem no MSN já deve ter visto uma expressão tipo "120d d.K." que eu utilizei por vários dias para compor meu apelido. Isto nada mais é do que um contador de dias desde o dia em que a conheci. Muita coisa mudou desde aquele dia mágico. Hoje é o dia 228 depois de Kívia.

Na foto publicada hoje, a poesia Cretense, até o momento inédita por aqui. Novidade são as fotos dela na poesia. Ela não é linda?

Está bem, aqui vai o papel de parede que fiz pra ela com a poesia Tal qual um lobo:

Tal qual um lobo

Enfim, esta é uma homenagem pública a esta incrível garota. Não, ela não é minha namorada, infelizmente.

(Nossa, já falei tanta coisa nas poesias que publiquei aqui e nas poesias que mandei diretamente pra ela que nem sei se sobrou mais o que dizer de novidade)

Cinco, dentre tantas músicas, que me lembram você:

Kívia, eu te amo! Dê uma chance para nós dois!

-- Cárlisson Galdino

Cretense Dissecada

Cretense Dissecada

Se você quer conhecer os bastidores da poesia Cretense, aqui está em PDF. Explicando passagens da poesia e também a estrutura de ritmo, métrica e rima. Tentei fazer o mais didático possível.

Quem vir, comente depois dizendo o que achou, tá?

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