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Parte 7 - Chegada *

Mal o Catarino termina de falar, abro os olhos. Árvores enormes, de cores diferentes, mais... brilhantes! Mesmo as plantas rasteiras são diferentes do que conheço. O vento frio que vem vindo por entre as árvores se mistura a um medo estranho. Não há possibilidade de dúvidas em afirmar que não estamos onde estávamos. Talvez não estejamos nem mesmo mais na Terra.

O mais estranho é que nada disso parece real. Sabe quando você está num sonho e sabe que é um sonho? É exatamente isso aqui...

Não dá pra ver o céu além da copa das árvores, só um ambiente estranho, mesclando escuridão e brilhos verdes naquele meio mundo de folhas lá em cima. Não sei porque, mas algo me diz que o céu daqui não seria uma visão muito boa...

Pelo visto os outros três estão tão admirados quanto eu. O Jardel está sentado no chão olhando em volta. Deve estar pensando "Como foi que a gente veio parar aqui?". Tá bem, vou parar de tentar adivinhar o que os outros pensam...

A Bella está me chamando para ver uma planta.

- O que foi?

- Olha...

Sua mão toca a folha, mas não consegue empurrá-la.

- Deixa ver...

As folhas são lisas, lisas como se estivessem lubrificadas. E não dá pra empurrá-las. Pequenas, verdes, mas é como se fossem de metal.

- Essas plantas são de verdade? - A Bella pergunta.

Um vento frio bate novamente e podemos ver as folhas agitando ao vento.

- Estamos mais fracos que o vento aqui? - A Bella pergunta, quase como um desabafo, pouco antes de se levantar e ir em direção ao Catarino. - Estamos mortos?

O Catarino responde com um sorriso. Um sorriso de adulto que ouve uma criança fazer uma pergunta besta.

- Não, vocês não estão. Vamos agora?

Seguimos por essa floresta tão estranha. Há um caminho por onde a gente poderia passar sem se preocupar com essas plantas. Acho que um caminho com um pouquinho de mato já seria meio impossível para nós atravessarmos...

- Esperem!

O Catarino pára de repente estendendo o braço em sinal pra paramos também.

- O que foi agora...

- Quietos.

Ele se vira para as árvores de lado, vira a cabeça para cima e para baixo como se estivesse... Farejando!?

Do nada um ataque. Alguma coisa salta dentre as árvores quase atrás de nós, mas se choca com alguma outra coisa e vai bater em árvores mais longe. Na verdade eram três coisas que vinham. Vinham e bateram no Catarino.

Os três se levantam devagar de perto das árvores onde caíram. Não, não me perguntem como o Catarino apareceu do nada atrás da gente se ele estava lá na frente. Até olhei pra frente na hora pra ver se não eram dois Catarinos agora, mas era só um mesmo.

- Puta que pariu... - É só o Jardel tentando descrever a cena a seu jeito. Todo mundo tá surpreso, claro, né? E mais ainda quando vemos o que se levantou.

Três lobisomens, que estão vindo de novo. Olho para o lugar onde caíram, de longe mesmo, e dá pra ver que eles machucam plantas. Não é uma conclusão muito animadora...

Um deles resmunga qualquer coisa para o Catarino. Digo que resmunga pelo tipo estranho de voz que ele tem e pelo tipo também estranho de idioma. Mas a gente ouve tudo bem alto, só não entendemos nada. O Catarino responde no mesmo idioma e a resposta não parece ser a que eles estavam esperando pelo que eles dizem depois.

Catarino se vira pra gente e diz simplesmente: agrupem-se. Nós quatro nos juntamos e ficamos vendo a cena. Tentando ver seria a expressão mais certa. É tudo muito rápido. São manchas distorcidas pela velocidade tentando chegar até nós e esbarrando em algo no caminho, sendo arremessadas para longe.

A situação tão diferente demora... E nós quatro ali, sem saber o que fazer, morrendo de medo de que um desses relâmpagos humanos, ou melhor, nem humanos são essas coisas, termine não esbarrando em nada e vindo até nós.

Tudo acontece muito rápido. Rápido demais. Mesmo nesse pouco tempo, aqueles lobisomens conseguem vir pelo menos umas cinquenta vezes, e esbarram no Catarino. Logo, ao invés de pancadas espaçadas, ouvimos uma sequência muito rápida, como pedal duplo de uma banda dessas de música ligeira e pesada. Mais um pouquinho e ouvimos isso de novo. E de novo.

Pronto. Parou? Lá está o Catarino, com o pé direito sobre um dos três lobisomens. Outro está ali, caído de costas no chão no meio do mato. O terceiro não sei onde está, mas deve ter sido derrubado também. Ou terá fugido?

- Tudo bem, vamos continuar.

Simples assim, ele fala. Como se tivéssemos parado para um lanche num grupo de escoteiros.

#3


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