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Parte 7

Authu se mostrava exuberante, estupenda, com seu brilho de início de noite. Os cinco se aproximam das entradas. Uma muralha não muito alta, mas com uma entrada protegida por um punhado de soldados.

- Auto!

- Eu sei! É aqui mesmo!

- Não banque o engraçado!

Os discípulos de Fuolha se olham, assustados. Bastou a Utho abrir a boca para preparar cenário pra uma possível confusão. Os guardas não estavam de bom-humor.

- Não aceita uma brincadeira?

- Mais uma e vocês vão brincar com os ratos da prisão. O que querem aqui?

- Como é? Não vão falar "identifiquem-se, forasteiros"?

O soldado que os abordou segura a espada, ainda na bainha, com jeito de ameaça, e avança um passo contra o guia da jornada. Os outros guardas olhavam atentos, alguns com um leve sorriso.

- Tudo bem, tudo bem... Eu vim trazer quem pode nos salvar do monstro.

- Oh! E quem são?

- Os Guerreiros do Fogo.

Os soldados riem, enquanto se olham para confirmar que haviam ouvido aquilo mesmo. Já os guerreiros começam a se inquietar, mas preferem permanecer calados. Ao menos por enquanto.

- "Do Fogo", hein?

- É. Do Fogo! E guardem bem esse nome, pois eles ficarão conhecidos como "os que venceram o monstro".

- Ha! Ha! Ei, vocês sabem onde está Uryef? Não tá com vocês não?

Algio aponta para o céu. Os soldados olham, alguns deles, vêem um monte de estrelas e desatam a rir com ainda mais vontade. Um deles se aproxima.

- Ei, acendam esse cigarro pra mim!

A resposta, creio, o leitor já espera. Uma exagerada - digamos assim - cortina de fogo seria uma resposta inigualável. Os quatro têm essa mesma idéia, ao invés de um. Daí, deves imaginar o susto que os soldados levaram e que os fez fugir a mil. A simples cortina se transformou num labirinto de altas chamas, intensas e quentes. Felizmente ninguém se queimou. ...não muito.

- Precisava isso tudo?

- Claro que sim!

- É, Utho, quero vê-los rirem agora.

- O que a gente faz? - Geba pergunta.

- Vamos buscar Eogebarão.

- "É o Geba" o quê?

- O prefeito, vamos!

Fumaça não há, mas resta ainda um bafo quente. Eles entram na cidade, encontrando um pequeno público que assistiu à apresentação. Também, pudera, com chamas tão altas assim, só mesmo um cego não veria - apesar de sentí-la -, estando ali por perto.

- Nós estamos salvos! - grita Utho para a multidão. Sentia-se orgulhoso por ter guiado os heróis. Como se ele os tivesse buscado e apenas graças à sua participação eles houvessem chegado.

As pessoas respondem com gritos e saltos de felicidade. Algumas estavam passando por ali. Outras viram o espetáculo de dentro de suas casas e resolveram sair. Os cinco seguem, por entre casas iluminadas por velas e lanternas. Também há pessoas assistindo das janelas. As ruas eram apertadas, afinal, o único modo de se locomover que não por pernas humanas era com uso de estranhas engenhocas, mas poucos tinham dinheiro e coragem para isso. Pelas ruas apertadas, sob a luz da Lua e das velas às janelas, seguidos por uma multidão crescente, após duas praças eles chegam à frente da mansão do rei.

A noite cai totalmente. Cai para permitir que brilhem outros que não o Sol: ele monopolisa o dia. A multidão que se somou à frente da mansão é formidável. Não há como medir de onde os guerreiros estão, mas vai além das esquinas.

É como se toda a cidade de Authu já tivesse recebido a notícia no curto intervalo que vai desde a chegada aos portões até este momento. As pessoas esperavam por alguém que pudesse salvá-las. Alguém realmente especial, pois os melhores que conheciam haviam desaparecido. Provavelmente em combate com o monstro. Nessas condições, por medo de parecerem infantis, as pessoas não revelavam essa esperança e a confirmação de uma possível salvação era uma injeção de novo ânimo em todos.

Abaixo da tênue chama que queima no alto dos postes, apenas cinco coisas brilhavam, mas eram tudo o que todos queriam ver naquele instante. Os quatro guerreiros, com suas armaduras brancas tão magnificamente esculpidas como jamais alguém o fizera. Os guerreiros, os quatro, e a mansão, que exibia seu verde claro, quase branco, com detalhes em ouro e prata. As pessoas vêem, admiradas, ansiando apenas por um nome, para que possam bradá-lo e comemorar a chegada de seus protetores.

Alguém passando entre a multidão invade o pequeno círculo disforme no qual os cinco se encontravam, próximo ao portão. Veste-se bem e pede licença antes de se dirigir à entrada da moradia.

- Espere! - Cristian o faz parar - Precisamos falar com O Rei.

De seus ombros saltam ligeiras chamas enquanto seus olhos brilham. Não passa Cristian, entretanto, um tom de ameaça, mas caráter de urgência. A multidão aplaude e em pouco tempo lhes adivinha o nome. Começam a gritar vivas aos "Guerreiros do Fogo"... Geba acena satisfeito pela festa e agradece a recepção. Logo os outros três também o fazem, embora Lob com mais receio.

- Bela apresentação! - Utho comenta, recebendo em resposta um sorriso de "Fique calado".

Cristian sabia que estava um pouco fora de si, mas não queria sair do êxtase enquanto não fosse necessário. Eles estavam vivendo um sonho. Eram adorados, bastante adorados. Estavam vivendo a recompensa por seu trabalho, por sua jornada, pelas batalhas tão árduas.

Logo alguém chega até o portão e os manda entrar, abrindo tremulante a porta e fechando à passagem do quinto deles. As pessoas não voltam para suas casas: esqueceram que as têm. Sabe... A proximidade com os maiores e únicos candidatos a heróis-que-venceram-o-monstro trazia segurança.

Alguns se sentam ali mesmo no chão, enquanto os bardos tomam as praças e começam a tocar em exaltação aos heróis. Logo as tavernas lotam.

Passando por largos corredores, de cujas paredes sustentam graciosos quadros com retratos de pessoas e locais da cidade, eles chegam a uma sala circular. No meio, uma escada espiral que leva ao primeiro andar. Seguindo instruções do funcionário, eles a sobem, sozinhos, e lá encontram uma sala com as mesmas dimensões da de baixo, porém bem mais magnífica.

Esculturas espalhadas pelos cantos. Em um quadrante, sofás; e no teto uma cúpula de vidro, embora mais baixa que o restante da mansão. Por isso não se via de fora, nem se suspeitava da existência de uma sala tão grande e luxuosa, e de onde se podia ver o céu e as estrelas. Tapetes ricos cobriam o chão, dando idéia da riqueza que a cidade tinha.

A sala era muito bem servida de artigos de arte, mas também o era de pessoas. Espelhados pelos cantos - que um círculo não possui - havia soldados. Pelo menos um para cada escultura. À direita dos sofás, que faziam jus ao cenário, mais quatro homens. Estes, porém, bem-vestidos, como cidadãos importantes.

- Então vocês são os forasteiros que têm causado esse tumulto...

- Senhor Eogebarão?

- Não. - o de roupa azul, o segundo da direita, toma a cena. Quem falara antes fôra o único calvo da recepção, em trajes negros. - Permita-me apresentar-lhes meu conselho. À minha esquerda, vocês têm Plinhu, meu conselheiro estratégico urbano.

Este vestia um manto acinzentado. Seu manto, ainda que manto, estava longe de ser considerado uma peça popular. Seu portador era um pouco alto e de olhar submisso. Tinha os cabelos um pouco grisalhos e a face um tanto enrugada.

- Este aqui à minha direita é o capitão da guarda, Sir Egriarre.

- Um prazer, senhores. - O homem de preto faz uma reverência firme. Apesar de parecer o mais velho, esbanja autoridade e força. É também o mais alto. Talvez tão alto quanto Plinhu, mas, por manter uma postura mais firme parece um pouco maior.

- ...ao seu lado - de Egriarre -, Nikeutoa é meu conselheiro espiritual, sacerdote, alegrai-vos pois, das forças do fogo!

Dos quatro, era ele quem os olhava com olhar mais penetrante, levado pela curiosidade. "Afinal, quem viriam a ser esses tais 'guerreiros' do fogo?" Ele vestia um manto vermelho, de um vermelho brilhante e intenso. E o que mais lhe encucava e o fazia acariciar o próprio cavanhaque, pensativo, era a cor das armaduras. "O fogo sempre é representado por cores quentes. Se eles são mesmo guerreiros do Fogo, por que suas armaduras têm uma maldita cor neutra?" Parecia ter uns trinta e poucos anos. Seus cabelos eram ruivos e sua expressão disputava com a de Egriarre o título de mais séria.

- Então é vossa alteza o prefeito Eogebarão?

- Sim. - Ninguém suspeitava dele como prefeito. Era o mais jovem! Não tinha cara de mais de vinte e cinco anos. - Agora, quanto a vós?

- Eu sou...

- Eu sou...

Cristian e Utho falam ao mesmo tempo. Decidem que Utho fale: isso era muito importante para ele.

- Eu sou Uthokrolha, quem os guiou à vossa ilustre presença desde as praias que levam às ilhas malditas. Estes são os maiores guerreiros que a terra de Kairot já viu: Algio, Cristian, Geba e Lob. São os Guerreiros do Fogo, os maiores representantes das forças da queima.

- Com licença. - Algio interfere. - Bem... Alteza. Como vossa ilustríssima pessoa pôde conferir, nossos nomes são curtos e simples perto dos vossos. Gostaria de ter a vossa permissão para chamar-vos por um nome mais compacto. ...se não for isto um mal...

O prefeito responde com um sorriso de comoção, falando logo em seguida:

- Vocês têm minha permissão para chamá-los por seus cargos. Quanto a mim, na infância me chamavam de Conq.

- "Conq"?

- Sim, "conquistador". Os meus amigos me detestavam: as garotas que a gente conhecia eram caidinhas por mim. ...coisas da infância...

- Não só da infância, majestade. Creio que tenha conquistado o apreço de todos os vossos cidadãos.

- Sim... Cristian! É este o seu nome, não? Obrigado pelo elogio... Permitam-me pedir uma coisa...

- Pois não, majestade.

- Vosso amigo, Utho...

- Apenas Utho, alteza!

- Que seja! Vosso amigo Utho não se encontra a rigor para reunião tão importante. Utrua!

Um homem em roupas azuis-escuras entra na sala.

- Arrume algo decente e vista em Utho.

- Como queira, senhor. - e, virando-se para Utho, - Siga-me, cavalheiro.

Os oito permanecem de pé, em duas filas que se confrontam. Ninguém fala nada, nem vai aos sofás.

"Nomes curtos... Interessante... Algio... Não seria 'ágil'? Cristian talvez fosse... Não sei... Ele agiu com... Parece ser o representante do grupo... Já sei! Cristal! A parte pensante! Lob está na cara que é um 'lobo' e bem notei como é arisco. Mas Geba..." Nikeutoa, o sacerdote, se deliciava com suas descobertas.

"Agilidade, sagacidade, selvageria e... E o quê? Que será que representa esse nome 'Geba'?! Por seu porte, talvez seja a força bruta, mas... Por que 'Geba'?!"

"De qualquer forma será possível que seja tão simples?"

Exceto talvez pelo desconfiado representante das forças místicas, a todos a imagem dos guerreiros causara ótima impressão. Também, pudera. Com armaduras tão ímpares... Certamente jamais se viu armaduras iguais sobre o solo de Kairot.

Finalmente, após longos minutos, o falante guia ressurge em trajes à altura da ocasião.

- Podemos começar agora, majestade?

- Ainda não.

"Mas que..."

"Que estará faltando? Por que a gente não começa logo a reunião?" Assim decorrem mais alguns preciosos e longos minutos. Ainda mais longos pelas expressões dos presentes, que fizeram com que nem mesmo Cristian e Utho falassem.

Enfim, como nem toda espera é eterna, logo ocorre o que eles esperavam. Não os guerreiros, mas os partidários do prefeito.

Um homem magro, mas em roupas lustrosas, entra na sala pela escada. Seguido por dois outros, mas estes vestidos simplesmente e levando o material que será utilizado pelo primeiro.

- Boa noite, Ibepsa.

- Boa noite, majestade. Desculpe a demora, mas fui pego de surpresa.

- Bem, todos fomos. - Ele se volta para os oito que já esperavam há um tempo por esse momento. - Podemos começar. Tenham a bondade.

Todos ocupam os sofás. Todos exceto três recém-chegados. Estes arrumam as coisas. Uma tela para Utrua Ibepsa - xará do mordomo e um dos melhores pintores que Kairot já teve. O príncipe de Authu só esperava aquele que iria registrar a cena. Se os visitantes fossem mesmo aqueles que iam derrotar o grande mal que afligia a todos, ele tinha que usar isso ao máximo para melhorar ainda mais sua imagem. As pessoas eram exigentes...

- Bem, senhores. Vamos começar pela vossa história, tudo bem? De onde vêm?

- De Caji.

- De Motron.

Utho e Cristian respondem ao mesmo tempo, sendo que Cristian passa a informação mais precisa: onde moravam.

- Motron... E onde fica?

- Não fica mais, senhor.

- Foi destruída pelo monstro. - Algio completa. - Como têm sido com tantas outras vilas.

- Certo. Prossigam. Vocês deixaram a cidade...

- Sim, e partimos em busca de uma outra cidade quando fomos encontrados por Uryef.

- Foram encontrados por Uryef?

- Sim, senhor mago.

- E onde ele está agora?

- Ali.

Algio responde por Cristian, apontando para o céu. Cristian temia essa resposta por saber o que poderia ocorrer.

- Ele morreu? - o prefeito pergunta, surpreso.

- Não. O Fogo o chamou e o tornou uma estrela.

- Uma estrela? - o arcano conselheiro perguntava pensativo, e quase para si mesmo, enquanto o general e o conselheiro urbano riam.

O rei de Authu riria também, não fosse sua situação e a de toda Kairot séria como eram naquele momento. Ele ergue a mão. Não para mostrar seu anel com uma pedra verde e quase transparente: pede silêncio, pois chegara à conclusão.

- Utrua!

O mesmo homem que se apresentara há pouco retorna à sala com o mesmo ar sério, porém servil.

- Pois não, senhor.

- Cuide para que me chegue aquele nosso estudioso dos céus... Qual mesmo é seu nome?

- Ploucra, senhor.

- Sim! O próprio! Faça-o vir com urgência, sim?

- Certamente, majestade.

Ele desce a escada espiral, deixando assim aquele ambiente tão nobre. Uthokrolha comenta com discrição a Cristian que "não deviam ter falado de Uryef". O homem da guerra olha seu soberano como quem aguarda uma continuação. A isso, a majestade - ou simplesmente "Conq", como se permitiu ser chamada - responde, com um sinal de espere. De fato, ficava difícil prosseguir com essa confirmação pendente: havia desconfiança. Como, ao contrário deles próprios e dos guardas que vigiavam a reunião quase como estátuas, não há o que nos prenda àquela cena monótona de espera, voltemos nossos olhos, amigo leitor, para o funcionário de confiança que, em sua importantíssima missão, já transpassou o muro que o separava da rua.

Já havia se passado mais de meia hora e as pessoas não haviam deixado a frente da mansão. Utrua saiu sob olhares de todos aqueles cidadãos, que esperavam atentos algum sinal, alguma notícia de seus salvadores. Foi o criado interceptado prontamente por um grupo dos que estavam mais perto. Com enorme esforço, ele nada contra a correnteza de perguntas, que se emaranhavam num ruído caótico, alto e incompreensível.

Com igual dificuldade, Utrua atravessa duas ruas até chegar à residência do requisitado astrônomo. Após alguns segundos, é atendido por um rapaz um tanto jovem.

- Pois não, senhor?

- O senhor Ploucra se encontra?

- Sim. Quem gostaria?

- Vosso rei.

- Pode adiantar o assunto?

- Chame-o, é urgente.

- Tudo bem, aguarde um pouco, por favor.

O funcionário entra, dirigindo-se à sala. "Não está aqui." Há uma escrivaninha, um lampião aceso, iluminando um monte de papéis e uma pena jogada sobre eles. O pote de tinta destampado na parte mais alta, perto da fonte de luz.

"Saiu de novo. Ainda não descobriu o que queria?!" Ele se dirige ao quintal, passando pela cozinha.

- Viu ele, Dri?

- Ali. - responde uma moça igualmente jovem, fazendo entender que o estudioso se encontra mesmo no quintal.

- Plou! - Ele corre ao ver o patrão no meio do terreno, com aqueles aparelhos estranhíssimos.

- Que é?

- Ainda não resolveu?

- É um mistério, mas eu chego lá...

- Já faz três dias!

- É! E você? Não veio até aqui só pra me aborrecer, veio?

- Não. É que tem um homem aí querendo falar com você.

- Quem é?

- Não sei, mas diz que vem em nome do rei.

Ploucra tira da cara o instrumento com o qual observava o céu e o coloca no chão, ao lado de tantos outros. De fato, há três dias vinha envolvido com um problema aparentemente insolúvel. Durante esse tempo todo, sua vida era sala-quintal e quintal-sala.

- O patrão não vai comer, não?

- Não, Dri. Tenho um assunto a resolver. Talvez jante mais tarde. - E pega uma daquelas frutas pequenas tão comuns nesse lugar.

Ao passar pela sala, pára diante dos papéis.

- Isso... Isso... Talvez interesse ao prefeito... - falava para si próprio enquanto pegava alguns.

Feito isso, dirige-se à saída e encontra o tal homem. Já o havia visto na mansão algumas vezes em que foi ter com o rei. Então partiram.

Toda aquela multidão muito o espantou. Por incrível que pareça, ele não havia percebido aquela euforia toda. Muitas vezes, quando se concentra perde a noção do mundo.

- Que está havendo?

- Vai saber, senhor.

Por pouco, tal resposta não o irritou. Ele tira seu chapéu esquisito e olha à sua volta. "Como se junta tanta gente em tão pouco tempo?" As lanternas já estavam acesas, o que o fez deduzir que se aglomerara aquela massa após o anoitecer. De outra forma, como o lanterneiro as acenderia com tanta gente?

Era muito difícil abrir caminho entre a multidão. Nadando nesse mar de indivíduos eles chegam aos portões da mansão. Poucos podem notá-los, mas ainda menos os conhecem. Livres da multidão, eles passam pelo corredor até a sala circular inferior. Sobem as escadas e alcançam a sala principal, onde já os esperam o rei e sua comitiva, frente ao partido dos guerreiros tão heróicos.

- Vossa majestade mandou me chamar?

- Sim. Temos um problema. Reconhece aquela estrela?

- É justamente sobre isso que venho pesquisando há três dias. Há um mês não estava ali.

- Eles dizem que é Uryef.

- Quê?! - a surpresa foi tão grande que o estudioso não sabia se perguntava quem dizia isso ou o que sua majestade dizia.

O prefeito indica o grupo. Não com o dedo, mas gentilmente com a mão aberta, como quem diz: "Ei-los". Ploucra dá alguns passos em direção aos aventureiros. Apesar das armaduras, seus olhos são de "não acredito que ele acredita nisso".

- Majestade! Isso que estais me dizendo é... É... É ridículo! Quem?! Uryef? Virou estrela? Isso é impossível.

Os presentes se olham surpresos com a euforia cética do astrônomo. O rei resolve a situação.

- A estrela não existia há um mês?

- Não pode ser o...

- Responda "sim" ou "não". A estrela existia há um mês?

- Não!

- Pois bem. Deixe que eu decido se acredito ou não. Se quiser acompanhar a conversa, pode ficar.

Ploucra olha para a escada indeciso e vê um rapaz descendo por ela. É um dos ajudantes do pintor que vai trazer mais material. A esta altura, Ibepsa já havia pintado algumas telas, ou ao menos rabiscado.

Finalmente, Ploucra aceita ficar e se senta junto aos presentes.

- Bem, tirado isso a limpo, o que aconteceu depois que Uryef se tornou uma estrela?

Ploucra contorcia a face como se estivesse vítima de severo ataque comvulsivo, de pura indignação. O olhar do prefeito lhe garantia que era bem mais "saudável" que não falasse nada.

- Nós não contamos nem o que houve antes?!

- Tens razão. Conte-nos agora.

Após essa prova da estrela, eles permitem que a narração siga fluente, alternando os oradores Cristian, Utho e Algio. Ocultando alguns detalhes - como sempre ocorre na narração de uma história -, como as várias cores que as armaduras tiveram, um ou outro monstro e coisas do tipo.

- Portanto, majestade, esta é a nossa história.

- Excelente... - Ele pára um pouco, pensativo, prosseguindo em seguida. - Agora vamos à próxima parte. Soldados, apresentem-se!

Todos olham para um daqueles pontos escuros da sala. Um daqueles cantos onde há sempre um soldado. Mas olham para o soldado que caminha em direção à assembléia.

Um sorriso irradiado pelos cinco convidados mostra o quanto aquele sujeito é já conhecido, ao mesmo tempo em que contrasta com o medo do próprio sujeito. É um dos sentinelas que guardavam a cidade.

- Confirma a parte que lhe diz respeito?

- Sim, majestade.

- Eles fizeram mesmo fogo?

- Sim, majestade.

- Quanto.

- Bastante, majestade.

- Grato. Pode retornar. - mais uma vez pára. Agora espera que o soldado volte ao lugar que ocupava há pouco. - Bom... Acho que não é pedir demais querermos uma demonstração de vosso poder, bravos guerreiros.

- Claro que não, "Conq".

Algio cria uma bola de fogo que flutua no centro da sala.

- Bravo!

Aplausos? Não, não é um personagem novo, mas o mago, que prossegue.

- Que me dizem disso?

Ele fecha os olhos e, com as mãos juntas, cria um inseto gigante de fogo. Tomados de surpresa, os quatro saltam do sofá, para trás, mas antes que o mago se consagre vencedor, eis que ressurgem quatro seres de fogo ainda mais aterrorizantes: um lobo, uma águia, um aracnídeo e uma cópia daquele tal "tarturaço". Num só salto, eles avançam contra o inseto, encontrando-se e explodindo, num brilho ofuscante.

Quando a visão volta, pode-se ver o mago ofegante e as quatro coisas de fogo como que ilesas. Elas se desfazem após alguns segundos, quando os quatro juntam as mãos direitas, como se fizessem ou confirmassem uma aliança. Estão felizes.

- Tudo bem, vocês convenceram a todos nós. Utrua lhes mostrará seus aposentos, mas antes conheçam a área de lazer da mansão.

Utrua aparece para guiar os cinco escada abaixo, até a tal área.

- Ploucra? - Estava paralisado o Ploucra!

- S-sim, maji... iest...

- Não quer acompanhá-los?

- C-claro!

Ele sai apressado e desastrado, deixando o papel que levara e esbarrando com o pintor, que também se dirigia à escada.

Após o mal-entendido, ambos saem, deixando o prefeito e suas forças em uma assembléia que os guerreiros nem devem saber que houve...


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